Além de oferecer várias marcas de ‘pivo’, evento em Praga resume cultura do país
Quando soube da notícia, um amigo disse no Facebook: “O maior evento do mundo de todos os tempos?”. Se para você uma grande tenda que venda o litro de cerveja tcheca a R$ 9 representar o paraíso na terra, estamos talvez diante de um acontecimento digno de nota. Se você nem gostar tanto de cerveja assim, mas estiver em Praga até o dia 2 de junho, vale conhecer do mesmo jeito, porque o festival da Cerveja Tcheca reúne o principal da cultura do país em alguns metros quadrados.

Quando o pedido é grande, garçonetes levam a cerveja para a mesa assim
Na tenda maior, a estrela do festival (pivo, em tcheco) é vendida apenas em grandes e pesadas canecas de um litro, mas a variedade não é muita. Apesar de ser um único espaço, há dois cardápios: garçonetes com trajes típicos servem quatro grandes marcas de um lado do palco e quatro do outro — além da Klášter e da Lobkowicz não alcoólica, que são vendidas em todo o galpão. As mais conhecidas no país, Budvar e Pilsner Urquell, no entanto, não fazem parte da festa.
Há também um bufê de cada lado, ambos com comida típica tcheca, como gulache (um cozido de carne; a cerca de R$ 13,50) e linguiças grelhadas (klobása, em tcheco) com mostarda, raiz-forte e pão, a R$ 9 (a melhor opção para acompanhar a cerveja, dizem os locais). Se seguir essa sugestão, peça a linguiça no bufê de cardápio vermelho (Vyšehrad 2000), porque é mais farta e saborosa.
Num galpão menor, cervejarias menores vendem suas iguarias em canecas mais modestas, de 500 ml, por cerca de R$ 4,5. Há também um estande com garrafas para levar para casa, pelo mesmo preço. Para o apreciador e conhecedor de cerveja, essa tenda, sim, é diversão pura, porque são marcas que não são encontradas facilmente nos bares ou nos supermercados. Provei uma escura, Černá vdova (viúva negra), da Nomád, na caneca, e uma clara, Rohozec Skalák, na garrafa (a temperatura ambiente; ao contrário do Brasil, a cerveja tcheca nunca é servida “estupidamente gelada”), e a segunda se saiu melhor: suave e com pouco amargor.
E o resto da cultura tcheca? Está no cachorro que foi com os donos ao festival — eles adoram o bicho, e é fácil encontrar um cão deitado aos pés dos clientes nos restaurantes daqui —; na dupla de músicos que toca canções tradicionais e faz casais dançarem no meio do galpão; e no jogo de hóquei, transmitido em telão na tenda menor, e que arranca muitos gritos da plateia (mesmo se a disputa for entre Rússia e Finlândia…)
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Em tempo: Se esse texto não ficou bom, a culpa não é minha. Eu tive de experimentar as cervejas para poder escrevê-lo, e a urgência em contar a história me fez redigir tudo assim que cheguei em casa…
Em tempo 2: O festival funciona das 12h à meia-noite, no centro de exposições Holešovice. A entrada é gratuita, e para experimentar as cervejas e os pratos é preciso trocar as coroas tchecas pela “moeda” do evento, o tolar (cada um vale R$ 4,5); é preciso comprar no mínimo 5 tolars.
Em tempo 3: O texto foi reproduzido no BOL. Clique aqui para ver.